A IMPORTANCIA DA DIVERSIFICAÇAO DO PORTIFOLIO RENOVAVEL

Florianópolis, 01 de Junho de 2020,

Segundo dados divulgados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), a geração eólica no Nordeste teve queda de -20,4% na produção de energia no primeiro trimestre de 2020, comparado ao mesmo período de 2019. Considerando ainda que houve aumento de +2,6% de nova capacidade instalada nos últimos 12 meses, este número reflete uma drástica queda sazonal dos ventos. Em contrapartida, a boa safra de ventos no Sul do Brasil fez com que a geração eólica nesta região crescesse +14,0% no trimestre, com adição de +2,7% de nova capacidade instalada. Logo, há uma correlação inversa na variação energética da fonte eólica para as duas regiões no trimestre.

Em relação às usinas hidrelétricas (UHEs), uma nova dicotomia. Enquanto reservatórios do Sul do país registraram irrisórios 16% de armazenamento, uma baixa histórica, os reservatórios das hidrelétricas da CHESF na região Nordeste estão no maior nível em 11 anos, com alguns ultrapassando 90%, segundo relatou Luciano Costa em artigo publicado na Reuters [link]. Na média do país, entretanto, as UHEs registraram crescimento em geração de +2,9%.

As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) também sofreram redução significativa na sua produção energética com queda de -9,5% no trimestre finalizado em março comparado ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O quadro se assemelha com o cenário das UHEs, uma vez que a maior parte das PCHs encontram-se na região Sul e Sudeste do país.

Os dados ruins anteciparam o forte impacto que o decréscimo na geração de energia eólica no Nordeste e hidráulica no Sul tiveram na divulgação dos resultados trimestrais de algumas empresas do setor de energia renovável nacional, entre elas algumas estrelas do Bovespa. As geradoras que se especializaram num determinado nicho, concentrando boa parte de seu portfólio em apenas uma localização geográfica e numa única fonte renovável ficam frágeis em situações como a atual, afetando drasticamente sua geração de caixa. Alguns empreendimentos viram sua receita cair pela metade no primeiro trimestre de 2020.

Compreensivelmente, muitas empresas buscam o maior retorno possível de um investimento em energia renovável olhando apenas para o fluxo de caixa do projeto individualmente. Muitas delas apostaram nos gigantescos clusters eólicos situados nas bacias eólicas do Nordeste. Na lógica pontual do projeto maiores ganhos de escala serão obtidos, aproveitando-se da infraestrutura local implantada, para a construção de vários complexos eólicos geradores no mesmo cluster. Do mesmo modo, a operação e manutenção das usinas é facilitada, tanto logisticamente, quanto em redução de pessoal e material empregados ao longo da vida útil do empreendimento. Portanto, custos são compartilhados e espera-se maior rentabilidade para os investimentos realizados.

Ainda assim, evidencia-se a falta de observação ao princípio da diversificação. Estas empresas ignoram os riscos não sistemáticos, aqueles provenientes da concentração de capital, quando poderiam evitá-los com a simples diversificação de projetos, alternando localização e a fonte renovável. A regra do maior retorno, maior risco, também se aplica às renováveis.  Manter todos os ovos na mesma cesta (mesmo cluster) significa que a exposição pode se tornar muito elevada. Seja uma linha de transmissão que cai na tempestade ou o vento e a chuva que não aparecem, estas complicações podem “desligar” o cluster do gerador. Então, a geradora fica à mercê do bom humor da natureza. Mas e se ela resolver ficar de mau humor? Aí serão os acionistas que passarão calor, sem a brisa dos ventos alísios que os refrescam com dividendos.

Empresas como a OMEGA (OMGE3), EDF, ENEL, CPFL RENOVÁVEIS (CPRE3), VOLTALIA, RIO ENERGY, estão entre aquelas de maior concentração do seu portfólio no setor eólico na região Nordeste.  AES TIETÊ (TIET3) concentrada em ativos hidráulicos na região Sudeste. NEOENERGIA (NEOE3) em hidrelétricas na região Norte. Enquanto ENGIE (EGIE3) em hidrelétricas na região Sul. Algumas delas têm também em sua carteira, eólicas no Sul e hidrelétricas distribuídas nas diferentes regiões, as quais balanceiam melhor o seu portfólio.

A participação regional dos ativos de algumas empresas com capital aberto no BOVESPA pode ser observado no gráfico abaixo e, a seguir, profere-se a análise de cada empresa.

Participação da geração renovável nas regiões por empresa

Composição Regional da Carteira Renovavel- Empresas

A OMEGA ENERGIA é a empresa de capital aberto com menor diversificação em carteira, possui um portfólio de 1.195 MW, dos quais 924 MW (77%) de complexos eólicos concentrados em apenas dois complexos eólicos no Nordeste. A empresa foi fortemente impactada nos resultados apresentados no trimestre. A OMEGA vinha crescendo à taxa média de +66% trimestralmente nos últimos cinco anos, à base de aquisições, uma estrela - growth stock - do setor elétrico renovável. No último trimestre desembolsou aproximadamente R$ 482 milhões pelos Parques Eólicos Assuaruá 3, Deltra 7 e Delta 8, adquiridos de terceiro desenvolvedor, correspondendo um aumento de +147MW em capacidade instalada e crescimento de +14% no portfólio. Ainda assim, a aquisição dos três parques eólicos não foi suficiente para compensar a queda da geração eólica e viu sua receita regredir em -3% no trimestre.

O fator de capacidade realizado (eficiência energética) do Complexo Eólico Delta reduziu em -29% no trimestre comparado ao mesmo período do ano anterior, e em -43% no Complexo Eólico Assuruá na Bahia, segundo dados do ONS. Por consequência, a empresa viu seu prejuízo aumentar 110% para -R$ 53 milhões.

Em seu balanço a OMEGA pontuou a importância da diversificação dos projetos: “...o processo de consolidação do mercado de renováveis brasileiro deve continuar, pois ...companhias maiores tendem a ter melhor repertório para enfrentar uma crise (ganho de escala, custo de capital, diversificação etc.).” E estabelece como estratégia “Estratégia de Crescimento – Nossa criação de valor baseia-se em um contínuo crescimento oriundo da aquisição de ativos renováveis... perseguindo disciplinadamente o aumento de retornos, diversificação de riscos... almejamos continuar oferecendo a nossos investidores a melhor equação de risco-retorno do nosso setor.”

A opinião do CEO da empresa não reflete exatamente os números apresentados. A empresa vem tomando decisões de alocação de capital em direção contrária à diversificação. O robusto capital obtido de seus acionistas no processo de IPO estão sendo concentrados tanto em termos de fonte renovável (80% Eólicos), quanto em localização geográfica (77% no Nordeste), constituindo pouca diversificação de capital.

A NEOENERGIA, com composição pouco menos concentrada, possui diversificação moderada por região, todavia, possui concentração na fonte hidráulica. A empresa possui 3.030 MW (85%) provenientes de usinas hidrelétricas distribuídas no Norte (58%), Nordeste (13%), Sul (7%), Centro-Oeste (6%) e Sudeste (2%). Outros 516 MW de ativos renováveis eólicos no Nordeste, representam 15% de todo o seu parque gerador. A empresa apresentou queda de -7% na receita da geração renovável, compreendendo tropeço de -25% na geração de seus ativos eólicos do Nordeste, que foram em parte compensados pelas gerações de suas hidrelétricas.

Entretanto, no resultado consolidado, a queda na receita de -2% foi amenizada pela forte presença no segmento de distribuição e de transmissão. O setor de distribuição proporciona à NEOENERGIA estabilidade em faturamento. O segmento teve crescimento de +0,3% no trimestre, já com efeitos da pandemia.  Contudo, seu lucro consolidado apresentou robusto incremento trimestral de +17%, chegando a R$ 577 milhões, devido principalmente a menores custos com aquisição de energia no segmento de distribuição.

Ressalta-se, porém, que os novos investimentos renováveis da NEOENERGIA estão circunscritos a 1.038MW de novas usinas eólicas todas na região Nordeste, atualmente em construção. A geração na região Nordeste da companhia aumentará para 44% de sua carteira, concentrados em eólica, enquanto a concentração em hidrelétricas na região Norte se manterão concentrados em 45% da carteira, alterando, por consequência, a composição dos ativos da empresa. Aumentará a diversificação por fontes, mas reduzirá a diversificação regional.

Já a CPFL RENOVÁVEIS dispõe de uma composição pouco mais equilibrada em sua carteira, com 56% de seu parque gerador concentrado em eólicas no Nordeste, 6% em eólicas no Sul, 21% em PCHs principalmente no Sul e Sudeste e 17% em usinas a biomassa no Centro-Oeste e Sudeste. A empresa registrou queda de -16% na geração de suas eólicas, ainda que compensada pela produção do Complexo Eólico Atlântica localizado no Rio Grande do Sul de +29%. Sem embargo, a empresa ainda sofreu no setor das PCHs com queda de -19% em geração. Parte destas reduções foram compensadas graças ao bom desempenho de suas usinas à biomassa, e como resultado final a empresa ainda apresentou queda de -14,6% na sua geração consolidada.

Em seu balanço a CPFL RENOVÁVEIS pontuou a importância da diversificação dos projetos: “O portfólio de ativos da CPFL Renováveis é diversificado, tanto em termos de fontes como em localização geográfica. Essa característica é relevante, pois mitiga os efeitos das sazonalidades e fatores climáticos, que variam de acordo com a fonte renovável e também com a localização geográfica de cada um dos ativos.

Acontece que a opinião do Diretor Presidente da CPFL RENOVÁVEIS não condiz perfeitamente com os números apresentados. Como pode uma robusta carteira de projetos bem diversificada apresentar -14,6% de evolução trimestral em comparação com o mesmo período do ano anterior? Ora, embora a CPFL RENOVÁVEIS possua ativos de diferentes fontes renováveis e esteja presente em diferentes regiões, as plantas geradoras estão mal distribuídas nas regiões. Seu resultado poderia ter sido melhor, se tivesse maior proporção de eólicas no Sul e de hidrelétricas no Norte/Nordeste.

Ressalta-se que o crescimento de +15% na receita consolidada apresentada pela empresa foi devido particularmente à estratégia de sazonalização e swap contratual, que impactará negativamente o resultado nos trimestres seguintes.

A AES TIETÊ, por sua vez, possui a maior parte de seu parque gerador concentrado no Sudeste (79%), com 11 hidrelétricas e 1 usina solar. Outros 12% são provenientes de eólicas na Bahia, que representa 386MW de seu portfólio. O resultado trimestral na receita foi estável, mas o lucro da empresa disparou 21%. Indica que a menor produção de seu projeto eólico foi mais que compensada pela produção de suas hidrelétricas no Sudeste. A concentração de 79% do seus ativos na região Sudeste, porém, expõe a empresa a riscos desnecessários em concentração de ativos.

A ENGIE ainda não divulgou resultados do 1º trimestre. A empresa atua em geração, transmissão, gás natural e comercialização, portanto possui um perfil mais conglomerativo no setor elétrico e gás. No segmento da geração 86% dos ativos são renováveis e 14% são térmicas a carvão. Olhando apenas para o setor renovável, observa-se uma notável concentração em usinas hidrelétricas com 85,8% da carteira. Adicionalmente, verifica-se moderada concentração de seus ativos na região Sul, com 57% do total, restritos basicamente a cinco UHEs e distribuídos em parcelas similares, próximas a 10%, para as demais regiões do país. Todavia, há grande concentração de fonte energética dentro de cada região. No Nordeste com eólicas (97%), no Norte e Centro-Oeste com hidrelétricas (100%) e também no Sudeste com hidrelétricas (89%).

Nada obstante, salienta-se que a empresa está fazendo dois novos investimentos em geração (UHE Jirau e EOL Campo Largo II). Estes novos empreendimentos irão melhorar a distribuição regional da geração da empresa (diminuição de alocação na região Sul de 57% para 48%), porém irão aumentar a concentração na fonte hidráulica para 88%.

A verdadeira diversificação se obtém pelo equilíbrio satisfatório de fontes por região. Espalhar a geração nas diferentes regiões ajuda a ter energia para oferecer a clientes localizados em diferentes submercados de energia, mas por si só não resolve o problema da diversificação do portfólio. Nota-se que a situação atual é nefasta à ENGIE, escassez de vento no Nordeste e escassez de chuva no Sul, justamente as duas maiores concentrações da empresa. À vista disso, acredita-se que haverá significativa queda na geração renovável da empresa, consequentemente em sua receita, a serem divulgadas no balanço do 1º trimestre do ano.

A constatação de um trimestre ruim demostra que a diversificação locacional e por fonte renovável é desejável e deve ser considerada nos modelos de negócios e na escolha de aquisições de novos empreendimentos. Afinal, a variabilidade na geração de caixa aumenta o risco percebido e, por consequência, diminui o valor de mercado da empresa. Impacta acionistas e a capacidade da empresa em adquirir capital a custo baixo.

No trabalho de F.K. Miguel et all [2012] publicado no Journal on Electric Power Applications com o título “Aplicação da Teoria de Portfólio de Markowitz para a Carteira de Investimentos Eólicos no Brasil” é encontrada a carteira ótima de projetos eólicos no Brasil aplicando a teoria de portfólios de Markowitz. O autor conclui que é possível minimizar a volatilidade da geração eólica, mitigando o risco da exposição financeira dos investidores, estabelecendo uma carteira ótima de usinas eólicas. Franklin et all encontraram que a correlação entre parques eólicos no mesmo estado é praticamente igual a 1, e vai diminuindo à medida que a distância entre eles aumenta, entre estados e entre regiões. Entretanto, não encontraram ativos negativamente correlacionados, sendo a menor correlação entre projetos localizados no Piauí e em Santa Catarina. Segue abaixo a tabela das correlações de Parques Eólicos encontradas entre estados no estudo:

Correlação, Média e Desvio do Fator de Capacidade (F.K. Miguel et all, 2012)

A conclusão do trabalho publicado na IEE é que o estado do Rio Grande do Sul possui a menor volatilidade com considerável valor esperado de FC, enquanto o estado do Piauí possui o maior FC e maior volatilidade. Para os autores, o Regulador deveria implantar leilões regionais no ambiente regulado de modo a perseguir a carteira ótima, uma vez que, as regras atuais tem provocado aumento da volatilidade da geração eólica, seguindo caminho oposto ao que aponta a teoria da carteira de Markowitz.

De fato, é importante a distribuição da produção eólica em diferentes regiões, sobretudo a diversificação das fontes em cada região, dada a extensão continental do país. Os ventos, assim como as chuvas, no Sul e no Nordeste possuem baixa correlação. Quanto menor a correlação mais diversificado será o portfólio.

Isto posto, evidencia-se a importância de uma carteira balanceada e equilibrada entre fontes renováveis por regiões. Adicionalmente, demonstra-se que não basta a distribuição dos MWs por região e apresentar concentração de fontes nas regiões. A empresa de maior sucesso buscará crescimento sustentável nas energias renováveis diversificando em cada região, naturalmente com peso apropriado à potencialidade da fonte na região, de forma a maximizar o retorno ponderado ao risco do capital aportado por seus acionistas. A variabilidade no fluxo de caixa, comum aos setores de siderurgia e turismo, não agrada os investidores no setor elétrico, que esperam baixo risco [baixo desvio padrão de geração de caixa] e crescimento contínuo com lucratividade [distribuição ininterrupta e crescente de dividendos].

Conclui-se ainda que não há dentre as empresas aqui avaliadas do setor elétrico renovável uma verdadeira diversificação, com participações equilibradas das fontes renováveis nas diferentes regiões do país. Assim sendo, observa-se a oportunidade destas empresas em diminuir o risco não sistemático alocando melhor o capital equilibradamente dentre as fontes renováveis por região.

Escrito por Rodrigo Nereu dos Santos

 

Complexo Eólico do Contestado Recebe Licença Ambiental

O Complexo Eólico do Contestado conquistou a licença ambiental prévia, informou nesta quinta-feira, 11 de abril de 2019, a RDS Energias Renováveis, desenvolvedora do projeto. O empreendimento está desenhado para ter 283 MW de capacidade instalada, no município de Água Doce, em Santa Catarina.

Segundo o diretor da RDS, Rodrigo Nereu dos Santos, o projeto é desenvolvido há 7 anos e tem investimento previsto de R$ 1,1 bilhão. “A obtenção da licença ambiental é um importante passo para a viabilidade do empreendimento, visto que agora podemos participar do leilão e realizar os investimentos necessários para construção do projeto. Estamos trabalhando para isto”, disse o executivo.

Os 105 aerogeradores previstos serão instalados em uma área de 7.500 hectares, beneficiando diretamente proprietários de terras da região, que dividirão uma renda de R$ 3 milhões por ano com os royalties da usina.

A compensação ambiental prevista do projeto é de R$ 5,5 milhões, montante este que será direcionado a projetos ambientais. A prefeitura de Água Doce também será beneficiada, visto que arrecadará mais de R$ 20 milhões na construção do empreendimento e R$ 6 milhões ao ano no período operacional da usina eólica.

A construção da usina deve empregar mais de 1 mil trabalhadores locais na sua fase de instalação, sendo que para a operação da usina serão necessários mais de 160 empregos diretos permanentes.

A empresa se orgulha de fomentar projetos que poderão trazer renda, riqueza, desenvolvimento econômico e benefícios sócio-ambientais. "Nem sempre o projeto anda na velocidade que queremos, mas a nossa certeza é de que estamos fazendo o nosso melhor. Chegaremos lá."

Liberada Licença Ambiental do Complexo Eólico Lagunar

A RDS Energias Renováveis recebe a Licença Ambiental Prévia para implantação da mega usina eólica, que será localizada na cidade de Laguna, em Santa Catarina.

 

O Complexo Eólico Lagunar é o maior projeto de energia eólica do Sul do Brasil, com 568MW de potência, serão 249 torres aerogeradoras, capacidade suficiente para atender ao consumo de 2,3 milhões de habitantes, ou seja, mais de 30% da população catarinense. Este empreendimento será muito importante para o município de Laguna e para a região do Sul do estado de Santa Catarina como um todo, pois promoverá a economia local significativamente. O investimento neste projeto soma R$ 2,4 bilhões em uma área com aproximadamente 5.500 hectares na região dos Campos Verdes e Madre em Laguna, beneficiando diretamente mais de 100 pessoas entre proprietários rurais, pequenos produtores e cooperativas da região que receberão uma renda mensal por 30 anos para a instalação dos aerogeradores em suas propriedades, a previsão é que recebam mais de R$ 6 milhões ao ano. A compensação ambiental prevista no projeto é de R$ 12 milhões, montante este que será direcionado a projetos ambientais pela FATMA e ICMBio. A prefeitura de Laguna também se beneficiará, visto que arrecadará mais de R$ 50 milhões na construção do empreendimento e R$ 12 milhões ao ano no período operacional da usina eólica. A usina geradora de energia dos ventos deve empregar mais de 2 mil trabalhadores locais na sua fase de instalação, sendo que para a operação da usina serão necessários mais de 500 empregos diretos permanentes, ou seja, mais de 5% da população ativa do município de Laguna.

 

A concepção do empreendimento foi fruto de cuidadosa avaliação do meio-ambiente e da qualidade do vento. Foram apenas selecionadas áreas já transformadas pelo ser humano, ditas áreas antropizadas, são áreas rurais de pecuária e de cultivo de arroz. "Estamos desenvolvendo este projeto há mais de 5 anos, instalamos duas torres de 100 e 120 metros de altura para medir o vento, fizemos estudos de engenharia, levantamentos, mas foi a parte ambiental que levou mais tempo, percorremos um longo caminho para a obtenção desta Licença Ambiental. Tivemos que fazer estudos ambientais complexos, complementações, audiências públicas, acareações na comunidade, tivemos que obter a autorização ambiental do ICMBio, pois ali reside a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, mas, finalmente, recebemos a Licença junto à FATMA. A obtenção da licença ambiental é um importante passo para a viabilidade do empreendimento, visto que agora podemos participar do leilão e realizar os investimentos necessários para construção do projeto. Estamos trabalhando para isto" relata o Diretor de Operações da empresa Eng. Jorge Lewis Esswein.

 

Nova Selo de Energia Renovável

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, a Associação Brasileira de Energia Eólica - ABEEólica, a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa – Abragel e o Instituto Totum celebraram um acordo de cooperação nesta quarta-feira (31/8), visando dar maior robustez ao Certificado e Selo de Energia Renovável. O acordo foi assinado no evento Brazil Windpower 2016, no Rio de Janeiro.

O Instituto Totum emite certificados e selos para empresas que geram ou consomem energia de fontes renováveis, sendo que cada certificado (REC – Renewable Energy Certificate) equivale a 1 MWh de eletricidade produzida comprovadamente a partir dessas fontes. A iniciativa, que já era realizada em parceria com a ABEEólica e a Abragel desde 2013, passou a contar também com o apoio da CCEE.

De acordo com este compromisso assumido entre as partes, a Câmara de Comercialização participará do processo de certificação sempre que for necessária a verificação dos dados de geração de energia. A confirmação e a certificação digital das informações de fonte independente estão de acordo com as melhores práticas adotadas pelos certificadores internacionais, além de ser requisito fundamental para o acordo também assinado nesta quarta-feira com a plataforma mundial de comercialização do IREC.

“A CCEE apoia iniciativas voltadas ao futuro sustentável do mercado de energia elétrica no Brasil. Por isso, acreditamos que o Certificado e o Selo de Energia Renovável incentivam os consumidores a valorizarem este aspecto, agregando valor tanto para o gerador como para o comprador da energia de fontes renováveis”, comenta o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, Rui Altieri.

“Um dos pilares do Sistema de Certificação de Energia Renovável é a confiabilidade dos dados de geração de energia. A cooperação com a CCEE garante ainda mais credibilidade aos RECs emitidos no Brasil”, explica Fernando Giachini Lopes, Diretor do Instituto Totum.

“O Certificado e o Selo de Energia Renovável certamente ganham muito com esse acordo de cooperação, que cumpre ainda diretrizes do IREC para comercialização em sua plataforma, mundialmente utilizada”, explica Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

“A presença da CCEE nesse acordo corrobora os dados referentes ao potencial das fontes renováveis no atendimento ao mercado de energia de forma sustentável. Entendemos essa iniciativa como sendo um importante passo na consolidação das fontes de energia limpa, como um pilar do desenvolvimento da sociedade para o futuro”, explica Thiago Abreu, gerente executivo da Abragel.

Fonte: CCEE

Complexo Eolico de 568 MW recebe autorizacao ambiental

Florianópolis, 07 de Janeiro de 2016

Complexo Eólico Lagunar obtém autorização do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) para implantação da mega usina eólica de 568MW na cidade de Laguna, estado de Santa Catarina. O empreendimento possui previsão de investimentos da ordem de R$ 2,4 bilhões e será composto por 249 aerogeradores.

“A obtenção da autorização do ICMBio é um importante passo para o aporte dos investimentos e a construção do projeto” diz Rodrigo Nereu dos Santos, diretor executivo da RDS Energia, empresa promotora do projeto.  “A concepção do empreendimento foi fruto de cuidadosa avaliação do meio-ambiente local e da qualidade do vento. Foram apenas selecionadas áreas já transformadas pelo ser humano, são áreas rurais de pecuária e de cultivo de arroz”.

O conjunto de parques eólicos do complexo estão distribuídos em uma área com aproximadamente 5.500 hectares beneficiando diretamente mais de 100 pessoas entre proprietários rurais, pequenos produtores e cooperativas da região que receberão um valor de arrendamento mensal para a instalação dos aerogeradores em suas propriedades, a previsão é que recebam ao total mais de R$ 6 milhões ao ano.

A usina geradora de energia dos ventos deve empregar mais de 4 mil trabalhadores locais na sua fase de instalação, sendo que para a operação da usina serão necessários mais de 500 empregos diretos permanentes. “Nós estamos falando de mais de 10% da população ativa do município” pondera o prefeito de Laguna Everaldo Dos Santos.

“Estamos contentes com a autorização e quero salutar o esforço da APA da Baleia Franca em cumprir com seus prazos legais.” ressalta Rodrigo Nereu.

Mas nem tudo foi conforme esperado. “Infelizmente foram colocadas pesadas condicionantes na autorização. Estamos ainda avaliando o impacto na viabilidade do empreendimento. Queremos conversar com o Superintendente do ICMBio, pois se mantiverem estas condicionantes sem dúvida irá reduzir o tamanho do projeto e os investimentos para a região. Todo mundo sai perdendo, até o meio ambiente!”  ressalta Rodrigo.

Entenda as condicionantes da APA da Baleia Franca:

->    Nenhum desmatamento ! (mesmo pequenos empreendimentos como por ex. construções de casas e prédios realizam-se desmatamentos, não é possível que num empreendimento que fornecerá energia para atender a 30% da população catarinense não seja possível. É uma região que possui muito pouca presença de área florestal, porém algum desmatamento com certeza haverá. É necessário a revisão deste ponto.)

->    Manter distância de 800 metros do Rio Tubarão, na faixa que vai de 5 km desde a foz.

->    Manter distância de 100 metros dos rios e cursos d'água;

->    Manter distância de 600 metros (!) em relação as áreas de repouso, dormitório, alimentação e rotas de deslocamento de aves;

O Complexo Eólico Lagunar é o maior projeto de energia eólica do Sul do Brasil, com 568MW de potência, serão 249 torres aerogeradoras, capacidade suficiente para atender a 2,3 milhões de habitantes, ou seja, mais de 30% da população catarinense. O investimento neste projeto soma R$ 2,4 bilhões, sendo que os recursos serão financiados junto ao BNDES. O conjunto de turbinas eólicas estão distribuídas em uma área com aproximadamente 5.500 hectares na região de Laguna, beneficiando diretamente mais de 100 pessoas entre proprietários rurais, pequenos produtores e cooperativas da região que receberão uma renda mensal por 30 anos. A compensação ambiental prevista no projeto é de R$ 12 milhões, montante este que será direcionado a projetos ambientais pela FATMA e ICMBio. Tratando-se de tributos, a prefeitura de Laguna arrecadará R$ 50,3 milhões na construção do empreendimento, e mais R$ 12,2milhões ao ano no período operacional do parque eólico. Isto é geração de riqueza para a comunidade local. 

Este projeto conta com um forte grupo de investidores catarinenses. “Nossos sócios são a Bez Batti e a IBRAP-ESAF, de Urussanga/SC, e a Correias Materiais Elétricos, de Blumenau/SC. Juntamente fizemos investimos, como a instalação de duas torres anemométricas de 100 e de 120 metros de altura, que estão no local do empreendimento medindo o vento há mais de 4 anos. Nosso entrave para tornar realidade este projeto é a licença ambiental que estamos aguardando da FATMA desde Dezembro de 2012.” lamenta Rodrigo Nereu dos Santos

RDS Energia instala sua 10º torre de 120mts

A RDS Energia instalou mais uma torre meteorológica de 120 metros de altura para medição do vento em região sudeste do Rio Grande do Sul.  A torre anemométrica é equipada com sensores anemométricos de última geração e sistema de energia solar fornecidos pela Energy Shop (www.energyshop.com.br). A torre anemométrica irá diagnosticar o potencial eólico de mais de 6 mil hectares no sudeste do Rio Grande do Sul. A campanha anemométrica medirá o vento pelo período de 3 anos, conforme exigido pela ANEEL.

Eólicas têm 41% de Fator de Capacidade Médio

Os parques eólicos em operação no Brasil que venderam energia a partir de 2009 em leilões da ANEEL encerraram 2014 com fator de capacidade de 41%. Com isso, a geração eólica total no país alcançou um volume 89,9% mais elevado do que no ano anterior. Em termos de capacidade instalada a fonte encerrou dezembro com 5.961 MW, crescimento de 72% quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com a presidente executiva da ABEEólica, Élbia Silva, esses números refletem o grande ano que a fonte teve no país, mesmo tendo sido considerado um ano com ventos dentro da normalidade. O destaque está no fator de capacidade dos parques eólicos no país que está cerca de 10 pontos porcentuais acima dos melhores indicadores que se conhece na Europa e que se situam entre 28% e 31%. "O Brasil mostra que é definitivamente um país atrativo para investimentos em energia eólica. No ano passado essa capacidade nos colocou entre os 10 maiores países em termos de usinas, o 4º maior em termos de investimentos e o 2º em atratividade, perdendo apenas para a China”, elencou a executiva.

Os números positivos, continuou Élbia, não param por aí. Quando há a ‘entressafra’ de ventos a geração eólica registrou a geração relativamente estável, variou apenas 100 MW médios no período, ficando entre 843 MW médios e 747 MW médios. Contudo, de junho em diante a geração saltou para 1.271 MW médios até alcançar um patamar médio no segundo semestre de 1.877 MW médios. Essa diferença é explicada ainda pelo aumento da capacidade instalada no país que ficou 2,5 GW maior que ao final de 2013. Esse aumento proporcionou ainda o que chamou de ganhos sistêmicos, ou seja, aqueles que não se vê diretamente. Entre eles os dois mais importantes foram evitar a cobrança de cerca de R$ 5 bilhões em ESS originados da operação das térmicas que estão acionadas por conta da crise hídrica e servir como um reservatório virtual. Em termos de redução de emissões, a energia gerada pelas eólicas evitou que pouco mais de 6 milhões de toneladas de CO2 chegassem à atmosfera.

Ao total, em 2014, o Brasil recebeu R$ 18 bilhões em investimentos em energia eólica. Grande parte desses aportes, destacou, financiado pelo BNDES que possui uma regra de nacionalização de produção bem sucedida. “Com esses aportes a fonte eólica gerou 36 mil postos de trabalho. No total, com os atuais 6,6 GW em capacidade instalada que o país possui são 100 mil empregos. Até o final de 2019, quando teremos quase 18 GW, que já estão contratados, serão 150 mil postos de trabalho”, projetou a presidente executiva da ABEEólica. Seguindo o planejamento para 2015 a projeção é de que o país encerre o ano com 9,6 GW de capacidade instalada. Se essa previsão se confirmar, o país avançará para um patamar entre 4º e 5º maior entre os países do mundo que possuem geração eólica. Esse volume, acrescentou a executiva, vem associada à ampliação da cadeia de produção nacional que foi exigida e atendida pela exigência do BNDES que é a principal fonte de recursos para a continuidade desses investimentos no longo prazo, e cujas regras de conteúdo nacional estarão totalmente implementadas em junho do ano que vem.

Dados do Boletim Anual do Setor Eólico - ABEEólica

 

WARREN BUFFET INVESTE EM ENERGIA EOLICA

O megainvestidor Warren Buffet é sempre associado à sua cidade natal Omaha, no estado americano de Nebraska, mas o futuro de seu império aponta para o leste... para Iowa.

No estado vizinho, o presidente do conselho de administração da Berkshire Hathaway Inc. investiu bilhões em projetos de energia eólica, parte de uma grande aposta em energias renováveis de uma empresa que ele comprou em 2000 e a transformou em uma das maiores fornecedoras de energia dos Estados Unidos.

Por meio de uma subsidiária da qual detém o controle, a Berkshire Hathaway Energy, o segundo homem mais rico do mundo planeja dobrar os US$ 15 bilhões que já investiu em projetos de energias renováveis e está em busca de mais empresas de energia para comprar.

De todo seu capital investido no setor elétrico 56% está direcionado à energia eólica. A unidade de energia do grupo é essencial para o futuro da Berkshire, uma vez que corresponde a mais de 7% do lucro do conglomerado, e esse percentual deve crescer, enquanto também fornece uma forma de Buffet investir o caixa cada vez mais gordo do grupo.

A aposta de Buffet é simples: as pessoas sempre precisarão de energia, nas crises ou nos booms econômicos. E como ele gosta de dizer, ter uma empresa de energia não é uma forma de enriquecer, mas de permanecer rico.  A Berkshire obteve retornos de pelo menos 12% sobre o capital investido, segundo analistas.

No estado do Iowa a Berkshire construiu uma capacidade geradora eólica de 3.300 MW, ou 64% da capacidade de geração eólica do Estado.

As carteiras de motorista de Iowa agora exibem imagens de turbinas eólicas. “Estamos orgulhosos” diz o presidente da companhia.

Por Anupreeta Das

The Wall Street Journal

Energia eolica, perspectiva de investimentos

O vento Minuano sempre foi uma característica marcante do Rio Grande do Sul. O gaúcho se habituou a ele e com ele aprendeu a conviver. Pois, atualmente, o gaúcho se habituou a ver o vento também como fonte de renda e de desenvolvimento. Os projetos de geração de energia a partir dos ventos, estabelecidos no Rio Grande do Sul e habilitados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a participarem do Leilão A-3 que aconteceu no dia 6 de junho de 2014, representaram 2.155 MW, divididos em 98 projetos avaliados em R$ 8,5 bilhões. Mas não são somente bons ventos que garantem tantos projetos no Estado. A qualidade da infraestrutura (linhas de transmissão e subestações) e facilidades na construção (mão de obra qualificada e logística) transformaram o Pampa gaúcho em um canteiro de obras.

 Segundo a ABEEólica, a capacidade eólica instalada no Rio Grande do Sul é de 528 MW, e, em instalação, mais 1.444 MW. São quase 1.000 aerogeradores transformando energia dos ventos em energia renovável e renda para proprietários de terras na Metade Sul do Estado. O Rio Grande do Sul já possui o maior complexo eólico da América Latina. Localizado nas cidades de Santa Vitória do Palmar e Chuí, o Campos Neutrais, da Eletrosul, reúne três parques: Geribatu, Chuí e Hermenegildo que, em conjunto, somam 583 MW, energia para 3,4 milhões habitantes. Em construção, o complexo tem números impressionantes: são quase 5.000 empregos diretos e indiretos e um investimento estimado de R$ 2,7 bilhões na instalação de 300 aerogeradores, segundo dados da própria Eletrosul.

 Essa energia toda chega até nós por uma linha de transmissão de 500 km que está sendo construída entre Santa Vitória do Palmar e Nova Santa Rita. Assim, avançamos como referência na energia eólica no Brasil. O Rio Grande do Sul gera em seu território menos da metade da energia que consome. A natureza agradece e, em tempos de crise energética, famílias, setores agrícolas e a indústria também.

Por Frederico Boschin

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